Realidades esperadas e alertas para o futuro

Ao longo de um ano de Pandemia as dificuldades das pessoas e de setores da sociedade tornam-se mais visíveis, e nestas circunstâncias as realidades que já eram más, tendem a agravar-se. 

Por: Jorge Moutinho

Desde que a Pandemia começou a afetar Portugal há um ano que as desigualdades do sistema como um todo se têm vindo a acentuar e isso impede o progresso da sociedade, sendo que na problemática dos animais abandonados, essa realidade nota-se bastante nestes tempos difíceis.

No Concelho de Vila Pouca de Aguiar, Maite Monteiro é Presidente da Anipur – Associação De Defesa Dos Animais E Ambiente Terras De Aguiar, e em entrevista à RCA faz um balanço sobre a situação dos animais abandonados no concelho aguiarense, pois “Infelizmente temos vindo a observar mais animais abandonados…”.

Maite relata que a Anipur se tem deparado com situações de pessoas que pensam em abandonar animais devido às dificuldades decorrentes destes tempos de Pandemia, mas para ela “…Isso não é justificação nenhuma…não é motivo para abandonar animal nenhum e como eu disse, a associação também está aqui para ajudar as pessoas…as pessoas têm que ter um bocado de consciência e também de coração”.

Com a Pandemia veio o confinamento e de acordo com a Presidente da Anipur, nestes últimos meses as adoções de animais abandonados no concelho, aumentaram bastante talvez porque as pessoas passando mais tempo em casa, sentem necessidade de combater o isolamento, adotando um animal, mas Maite deixa um alerta para o futuro pois passado o confinamento “…As pessoas vão ter de começar outra vez com as rotinas…”, e isso na sua opinião pode levar a mais abandonos.

Falando numa situação mais abrangente a nível nacional, neste segundo confinamento houve alguns relatos e denúncias sobre pessoas que ‘adquiriam’ animais de propósito só para poderem ter o pretexto de sair à rua (sem serem seus verdadeiros animais de companhia). Maite de forma cáustica refere que “Não há muito a dizer em relação a esse tipo de pessoas, utilizam assim animais só porque querem sair de casa, por amor de Deus, que vão à janela e apanhem ar”.

Falando mais concretamente sobre a Anipur e a sua atividade, Maite Monteiro destaca a solidariedade que muitas pessoas demonstram nestes tempos difíceis e sobre um futuro Centro de Recolha, a Presidente desta associação defende que o Município tem também de fazer a sua parte pois “…Precisamos mesmo é do Centro de Recolha e ontem já era tarde”.  

A terminar a entrevista, Maite destaca que esta é uma causa que requer muita dedicação e sobre a situação frágil de muitos animais de companhia, apela a que as pessoas “Não os abandonem…as adoções não são para fazer de impulso, é uma coisa que tem de ser muito ponderada…os animais não são prendas…não são um objeto…as pessoas que se mentalizem, que tenham consciência daquilo que vão fazer…se não for para ser bem tratado não o tenham”.

Ao fim de um ano de Pandemia em Portugal, muitas realidades negativas são mais frequentes e agravam-se e no que respeita à situação dos animais abandonados, essa realidade nota-se bastante, também no concelho de Vila Pouca de Aguiar.

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