Um folar “de comer e chorar por mais”

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Por altura da Páscoa não há casa transmontana que não tenha folar à mesa. Uma espécie de bolo, feito com ovos, farinha, azeite e várias carnes como presunto, salpicão, linguiça ou toucinho.  A Rádio Clube Aguiarense (RCA) foi até Sabroso de Aguiar e entrou na cozinha de Helena Lameira para saber como se faz o tradicional folar. 

Para a aguiarense o segredo de um bom folar está nas carnes caseiras. “Na minha opinião o folar deve sempre ter as melhores carnes caseiras. Acho que o sabor é diferente. Um pouco de presunto, linguiça, salpicão e toucinho dão-lhe outro gosto”, disse.

Helena Lameira destaca que cozer o folar num forno a lenha é algo especial. “Desde que me lembro sempre fiz o folar num forno a lenha. É importante o tempo de cozedura. Os fornos a lenha são malandros às vezes é preciso termos atenção à temperatura e utilizar um papel de alumínio para que ele fique bem cozido”, destacou a aguiarense.

Helena Lameira a confeccionar o Folar numa masseira

Quanto ao método de confecção Helena Lameira salienta que tudo começa numa masseira. “Temos de colocar a farinha, o sal, o azeite, os ovos e o fermento dissolvidos numa masseira. Depois amassa-se muito bem até à massa se descolar das mãos e da masseira. Fazemos uma bola, polvilha-se com farinha e deixamos a repousar, em local aquecido e coberto, até duplicar o volume. Entretanto cortamos os enchidos em fatias ao nosso gosto.  Depois da massa levedada, separa-se com as mãos em quatro partes iguais. Com o rolo de cozinha entenda-se até obter quatro círculos iguais. Unta-se uma forma redonda sem buraco com azeite. Colocamos no fundo da forma uma rodela de massa, cubrimos com enchidos, depois outra placa de massa e enchidos até terminar com massa. Deixa-se ficar assim até levedar e de seguida vai ao forno”, contou Helena Lameira.

Anualmente na semana da Páscoa a habitante de Sabroso de Aguiar costuma confeccionar dezenas de folares que depois partilha com a família e amigos. Foi aos 12 anos que Helena Lameira aprendeu a cozer o pão e desde ai sempre teve o gosto pela pastelaria e padaria. “Comecei a cozer o pão quanto tinha 12 anos. Foi a minha mãe que me ensinou e desde essa altura em minha casa o pão era sempre cozido por mim. Gosto bastante de cozinhar e de confeccionar pratos caseiros que aprendi na minha juventude”, concluiu.

Luís Miguel Roçadas

 

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