O denominado “Apóstolo de Trás-os-Montes” nasceu há 200 anos

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A Igreja Paroquial de Telões foi no passado dia 1 (quinta-feira) palco de uma celebração importantíssima na história do concelho aguiarense. Celebrou-se nesse dia o bicentenário do nascimento de uma das maiores personalidades religiosas da região, o muito venerado Padre Couto, nome pelo qual é muito conhecido no concelho.

       Por: Jorge Moutinho

Manuel José Gonçalves Couto nasceu em Zimão na freguesia de Telões (concelho de Vila Pouca de Aguiar), no dia 1 de Agosto de 1819, num século de grande turbulência em Portugal com as invasões francesas, a retirada da Família Real para o Brasil e a Guerra Civil entre Liberais e Absolutistas.

Manuel José desde novo que vinha desenvolvendo qualidades que os mais próximos dele entendiam como adequadas ao sacerdócio, e a certa altura o seu irmão, Padre António José Gonçalves Couto foi decisivo para Manuel José optar pelo caminho que o levaria a padre, todavia as alterações políticas afetaram a Igreja e o Clero e mosteiros e conventos foram encerrados e a admissão a Ordens Sacras foi proibida em 1833 e só em 1837 é que o decreto de proibição foi revogado o que permitiu a Manuel José prosseguir o seu caminho.

Foi estudar para Braga e depois de feitos exames e provas, e depois de receber a prima tonsura e as ordens menores, recebe na Sé Catedral de Braga a Ordenação Presbiteral a 21 de Dezembro de 1844. Torna-se então no Padre Manuel José Gonçalves Couto.  Ainda volta a Braga para se habilitar a pregar e confessar e nos anos seguintes e depois de contactar com vários religiosos, o Padre Manuel do Couto como também é conhecido, sente-se inclinado a pregar.

As Missões Populares na altura, espalhavam a palavra do senhor e os valores da fé cristã, missões essas que se caracterizavam por uma envangelização das populações de cidades, vilas e aldeias que eram percorridas por vários missionários entre eles o Padre Couto que se destacou pelas suas capacidades nessa pregação itinerante o que lhe valeu a designação de “Apóstolo de Trás-os-Montes”, dado que com grande sucesso o Padre Couto pregou por Alijó, Bragança, Boticas, Celorico de Basto, Chaves, Mondim de Basto, Fafe, Vila Pouca de Aguiar, Vila Real e Vinhais.

Escreveu o livro “Missão Abreviada” que tinha o objetivo de não deixar os ensinamentos das missões serem esquecidos, sendo que dessa forma se cimentavam os pilares desses ensinamentos para o futuro, pois chegavam em livro aonde o Padre Couto e outros missionários não poderiam ir. O “Missão Abreviada” teve muito sucesso inclusivamente no estrangeiro e foi o livro mais editado em Portugal no séc. XIX.

O Sr. Adérito Chaves, natural de Outeiro mas radicado no Porto há muitos anos, e pesquisador de genealogia e demografia nesta zona, refere que o Padre Couto era uma pessoa que cuidava muito da população do concelho e não só, e por isso era merecedor de todo o respeito.

A Dona Rosa Silva, natural da Régua e Sobrinha Bisneta do Padre Couto, confessou à RCA que está a ler o “Missão Abreviada” e considera essa obra, um importante documento histórico sobre o que foi feito e o que era transmitido na época. O Padre Couto faleceu em Zimão a 17 de Setembro de 1897 e está atualmente sepultado na Capela de Nossa Senhora das Dores.

No passado dia 1 a homenagem contemplou uma Solene Eucaristia (19 horas) na Igreja Paroquial de Telões que foi presidida pelo Bispo de Vila Real, D. António Augusto Azevedo e às 20 horas realizou-se uma peregrinação ao jazigo do Padre Manuel do Couto onde foi depositada uma coroa de flores.

Uma homenagem que contou com vários membros de destaque da comunidade aguiarense e não só, numa tarde que serviu para recordar o Padre Couto ou Padre Manuel do Couto, uma das maiores personalidades religiosas da região de Trás-os-Montes.

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