Memórias da escola de antigamente mantidas vivas pela voz de quem sabe

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A RCA esteve na aldeia da Lagoa (freguesia de Bornes de Aguiar) onde encontrou a Dona Maria Arlete  natural desta localidade, mas que trabalhou durante 30 anos na antiga escola de Barbadães de Baixo, situada na freguesia de Vreia de Bornes.

Por: Luís Miguel Roçadas e Jorge Moutinho

Apesar dos seus noventa anos, Maria Arlete (é a senhora que está no centro da foto, do lado esquerdo encontra-se Ana Hermínia e do lado direito Ondina Castanheira todas irmãs) mantém uma vitalidade invejável e quando fala sobre a época em que trabalhou nessa escola, esta alegre senhora e ouvinte assídua da RCA, mostra uma incrível lucidez ao recordar as suas vivências. Na escola Maria Arlete tratava das limpezas, da vigilância das crianças e da sua alimentação.

Dado que na sua época o estabelecimento tinha 105 alunos, a Sra. Maria confessa que o trabalho era muito, especialmente quando tinha de tratar da alimentação pois sempre vai lembrando que às vezes o que custava nas refeições era cozer 105 ovos para tantas crianças. Os tempos eram difíceis na altura confessa Maria Arlete, e a nostalgia de uma altura em que a juventude abundava em Barbadães de Baixo, está bem presente nas recordações desta senhora que se lembra de várias crianças que se deslocavam sozinhas pelas ruas da aldeia para ir para as aulas.

Maria Arlete a preparar o almoço para os alunos

As travessuras e ansiedades próprias da infância ainda estão bem presentes na memória da Sra. Maria que se lembra dos alunos a quem doía a barriga mal chegavam à escola por não gostarem dela e recorda particularmente o caso de um aluno que se escondia dentro de um castanheiro, só saindo do seu interior para acompanhar os outros no caminho para a escola, que albergava não só alunos de Barbadães de Baixo, mas também de Barbadães de Cima e aí as rivalidades surgiam entre os alunos das duas aldeias que se pegavam sendo que Maria Arlete tinha de os ir separar.

Escola de Barbadães de Baixo onde Maria Arlete trabalhou durante 30 anos

Diz-se que “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” mas o que não mudou é a amizade e o respeito que muitos antigos alunos ainda possuem pela Sra. Maria, desde o passado até hoje.
Vivendo na Lagoa desde há muitos anos, Maria Arlete diz que não há muito movimento na aldeia mas destaca a importância para a comunidade, do Centro Social Santo António da Lagoa que costuma frequentar e que foi fundado em 2012. Nesse centro social é para onde é transportado “O Velho” na Passagem de ano, sendo que se trata de um boneco de palha que na noite de 31 de Dezembro é levado a percorrer as casas da aldeia despedindo-se do ano que passa e dando as boas vindas ao novo que virá.

Depois no centro social perto da meia-noite a população da Lagoa reúne-se num animado convívio onde não falta comida e bebida e à meia-noite “O Velho” é queimado no largo do centro, o que simboliza a despedida do ano que termina. Esta tradição é única no concelho aguiarense pelo que foi transmitido à RCA e é uma atividade dinamizada muito particularmente pela comunidade emigrante que volta à Lagoa na época natalícia, sendo que Maria Arlete lembra-se bem desta tradição desde há muito e aponta isso como um exemplo do dinamismo que o centro social trouxe à aldeia.

Atualmente a escola de Barbadães de Baixo está encerrada, tendo fechado já há muitos anos, mas Maria Arlete mantém vivo um património de vivências que permanece tão intacto como a sua vitalidade e que é essencial para preservar o conhecimento do passado.

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