Associação de S. Tomé da Gralheira: 10 anos a preservar tradições

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No ano em que comemora 10 anos de existência, e a poucos dias de iniciarem as tradições centenárias que antecedem o Carnaval, a Rádio Clube Aguiarense esteve na Associação de S. Tomé da Gralheira, onde o mote dos habitantes da aldeia é “não queremos deixar morrer as tradições”.

“Há 10 anos começamos com o objetivo de manter as tradições que deixaram de haver na altura”. Foi assim que Emídio Lameira, presidente e fundador da Associação de S. Tomé da Gralheira, definiu o principal objetivo, desta que é, uma casa que se preza por manter, renovar e divulgar festas e costumes, que ao longo dos anos foram esquecidas pelos demais. “Eu recordo-me de há 20 anos partirem o burro, casarem as raparigas solteiras, e com o tempo acabaram com tudo isso”, acrescentou.

No próximo mês de junho, a associação celebra o seu 10º aniversário. Uma data que, para Emídio Lameira, tem todo o sentido ser comemorada, apesar dos altos e baixos que a associação já passou, o mais importante “é o sorriso no rosto”, e nunca esquecer qual o motivo que os move dia após dia.

Dentro das inúmeras atividades que os membros organizam ao longo do ano, as vozes preparam-se agora para as tradições que se aproximam antes da véspera do Carnaval: a Partilha do Burro e o Casamento das Raparigas Solteiras.

Ouça a reportagem completa e fique a saber mais sobre estas tradições.

Partilha do Burro

Desengane-se quem pensa que é mesmo um animal que é partido, e dividido pelos habitantes da aldeia. O burro é meramente fruto da imaginação dos que vivem a tradição. A atividade prende-se em repartir as partes do burro para cada rapariga da aldeia, em forma de quadra, com o objetivo de satirizar cada uma delas. É costume utilizarem um funil a servir de altifalante. “A umas dão as patas, a outras as orelhas, a barriga, o focinho, os queixos (…) E divide-se pelas raparigas sempre com uma rima. Nas rimas fazemos referência a alguma vaidade ou a algum tique que a senhora tenha, mas sempre educadamente, porque antigamente havia rapazes a serem chamados ao posto da GNR”, conta o presidente.

 

Casamento das Raparigas Solteiras

Na quinta feira que se segue à da Partilha do Burro, os habitantes da Gralheira reúnem-se novamente, mas desta vez o objetivo é casar as raparigas solteiras da aldeia com os rapazes solteiros. Também em forma de rima e de sátira às características de cada um, todos os jovens da aldeia são “casados”, sendo esta, quase como uma tradição iniciática da adolescência para todos eles. Na aldeia da Gralheira há ainda 23 raparigas solteiras, que, para Emídio Lameira, “ainda tem graça fazer esta iniciativa porque ainda se justifica (…) se só tivesse duas ou três raparigas não valia a pena.”

 

Desfolhada de S. Tomé

Com a chegada do mês de setembro, multiplicam-se as Desfolhadas no concelho de Vila Pouca de Aguiar. Emídio Lameira e os restantes membros da Associação de S. Tomé da Gralheira orgulham-se de ter uma das melhores desfolhadas da região. No terceiro sábado de setembro, a Gralheira é palco desta tradição, onde o milho é o rei da noite, “a Desfolhada é a atividade que dá mais reconhecimento à aldeia”.

 

Daniela Parente

 

 

 

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