A distribuição de um bem essencial como fator de interação social

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Na Zona Norte do concelho aguiarense vive alguém que fruto da sua atividade profissional envolvendo a venda de um dos produtos alimentares mais básicos da alimentação, percorre centenas de quilómetros por dia.  

Por: Jorge Moutinho

Natural de Parada de Monteiros (atual União de Freguesias de Pensalvos e Parada de Monteiros) no concelho aguiarense, o Sr. Paulo Bota tem uma atividade profissional que implica acordar bem cedo de madrugada para fazer a distribuição de pão por algumas freguesias na Zona Norte de Vila Pouca de Aguiar.

O Sr. Paulo (com 50 anos) trabalhou mais de duas décadas na distribuição numa antiga Panificadora em Pedras Salgadas, sendo que atualmente está empregado na “Padaria Barroso” no Concelho de Chaves. O dia de trabalho de Paulo Bota inicia bem cedo pois levanta-se por volta das três da manhã, e depois de chegar a Chaves cerca de uma hora mais tarde, é feito o abastecimento da viatura para iniciar a distribuição de pão, ainda de madrugada.

O Sr. Paulo faz o percurso de distribuição pelas freguesias de Bornes de Aguiar, Sabroso de Aguiar e Vreia de Bornes, lembrando que era um trajeto que já fazia quando ainda trabalhava em Pedras Salgadas. O envelhecimento das populações nos meios do interior é comprovado por Paulo Bota que lamenta esse facto apesar de se mostrar satisfeito com a melhoria nas acessibilidades em muitas aldeias, comparativamente ao que se verificava há umas décadas. A evolução dos tempos levou ao aumento da concorrência nas mais diversas profissões e isso é algo que veio sempre a aumentar como é comprovado por Paulo Bota nesta entrevista à RCA.

Apesar de tudo gosta da sua profissão, mesmo reconhecendo que por vezes é cansativa. Já sobre os clientes que tem, refere que eles são afáveis e gostam de conversar, sendo que alguns até lhe tentam por vezes oferecer o almoço. A empresa para a qual trabalha, não vende e distribui só pão, e por isso Paulo Bota transporta também folares e outros produtos de pastelaria. Em jeito de conclusão pois ainda não tinha almoçado e a fome apertava, diz que no futuro a distribuição de pão como acontece hoje em dia, poderá ter tendência a desaparecer.

Nas suas viagens por um envelhecido e típico interior transmontano, Paulo Bota é um dos representantes de uma profissão que desempenha um importante papel social, pois se não forem vendedores ambulantes ou distribuidores neste caso que durante a semana percorrem várias aldeias, muitas populações idosas quase não interagem com ninguém durante a lenta passagem dos seus dias.         

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