A arte das solas com José Dias

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O sapateiro é uma das profissões mais antigas em todo o mundo. Apesar do alargamento da indústria do calçado às grandes superfícies comerciais ainda há quem procure arranjar ou consertar calçado nas tradicionais sapatarias. 

José Dias, de 83 anos e natural de Vila Pouca de Aguiar, não tem medo de meter mãos à obra e defende esta arte com “unhas e dentes”. Numa entrevista à Rádio Clube Aguiarense (RCA), o sapateiro recordar os primeiros passos e fala do legado familiar.

“Aos 7 anos comecei a engraxar sapatos com o meu pai. Depois, ele faleceu e fui trabalhar para uns cunhados meus que também eram sapateiros. Chegamos a ter dez sapatarias, em Vila Pouca de Aguiar. Mas agora sou o único da família que ainda mantém esta arte”, disse o aguiarense.

Com 18 anos abriu a sua sapataria

Actualmente, José Dias já não fabrica calçado. Porém, recorda com saudade tempos antigos quando fazia sapatos e botas. “Primeiro fazia muitos sapatos e botas. As pessoas gostavam de andar bem calçadas. Tenho aqui uma colecção de formas onde fazia o calçado à medida do cliente. Com 18 anos abri a minha sapataria e estou aqui em Vila Pouca de Aguiar há mais de sessenta de porta aberta. O meu trabalho agora é mais compor umas meias solas e consertar capas. Obra nova já não faço”, salientou.

Fez botas na tropa para os colegas militares

O sapateiro aguiarense é uma fonte de inspiração para muitos jovens. Com uma memória apurada José Dias partilhou com a RCA uma história incrível. Durante o tempo de serviço militar na Ilha Terceira, nos Açores, chegou a fazer  botas para os camaradas de armas. “Estive 30 meses na tropa, onde cumpri o serviço militar na Base Aérea Nº4, na Ilha Terceira, nos Açores. Enquanto lá estive cheguei a fazer botas para todos  os meus colegas militares”, destacou.

Enquanto não decide o seu futuro, o presente de José Dias é claro como a água: continuar a trabalhar até que lhe faltem as forças. Por isso, se pretender arranjar aquele par de sapatos de que tanto gosta já sabe onde ir em Vila Pouca de Aguiar.

Luís Miguel Roçadas 

 

 

 

 

 

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